sexta-feira, 8 de abril de 2011

O que eu desejo...

Eu te olhei... Você olhou de volta.

E num segundo criou-se em minha mente, em todas as instâncias, em todas as direções possíveis, uma fantasia sobre você e sobre o que poderia ser o "nós". Ah... se a minha mente parasse de fazer isso... Ah se ela parasse... Como pode criar cenários e momentos tão lindos? Como?
Fuji do seu olhar. Mas era tarde. Estava encantada para sempre. E você não parava de olhar, de encarar. Tentei fugir. Eu quis. Fiz. Só que era mesmo muito tarde para correr de tudo que se abrira no meu mundo de sonhos e quimera. Toda aquela vida que nasceu no instante em que nossos olhares se encontraram... Tudo aquilo era o que eu tinha. Daquilo eu viveria. De tudo aquilo eu quereria viver.
E você se aproximou. Eu gostei. Sua mão encontrou meu dorso para uma dança. E eu quis dançar. Tive certeza naquele momento que tudo mudara. Dancei. Sorri. Você me acolheu. E seu abraço me envolvia como uma nuvem... - não poderia sentir nada mais especial que esse céu.
O mundo não parou e nós giramos junto com ele.
Me apaixonara. Você me amava. - Havia como ser mais feliz?
Você e o seu amor. Os seus testes e a minha superação. Suas inseguranças e as minhas certezas. Os meus medos e a sua bravura em enfrentá-los. Suas promessas sem sentido... - ainda espero aquele céu e aquele mar que um dia você jurou entregar pra mim.
Nós apenas amávamos. Eu amava tudo que havia em você de terno... de belo... - eu viveria daquilo sem medo.

O que acontecera? O que se transformou?

Jamais saberemos o momento exato. Nunca encontraremos a linha na qual escreveu-se a tal mudança.

Me pergunto que virgem você esperava encontrar em mim. Pois sei, eu sinto que a minha fragilidade te decepcionou. Que mundo você acreditou que eu fosse? Quais verdades você escondeu acreditando que me protegia?  Sinto que o meu mundo puro te fez recuar. Eu sinto que a Aline que eu era nunca fora a qual você sonhou.

Recordo a outra vida que você quis me dar acreditando que eu poderia fazer parte desse novo universo. Eu tentei. Mas a dor de morrer por você não cabia em mim. Te amar era parte da virgem que você não me permitiu ser.

Houve outras moças? Outras virgens diferentes de mim? - Talvez eu não queira saber. Não. Não quero saber.

Tanta coisa que ficou entre nós... Será que você se lembra? - Eu lembro. Para sempre estará gravado em mim.

Quantas vezes você disse que me amava... Quantas... - O que eu faço sem você pra me amar? O que que faço com os cadáveres das Aline's que não existem mais, vítimas desse amor?

Não sei por quê tudo mudou. Talvez nunca saiba. Será que eu preciso saber? Quantos corpos mais eu preciso enterrar para entender que o finito existe até mesmo para os romances eternos? Quantas virgens eu precisarei matar em mim para seguir adiante? 

Eu quero mais. Muito mais. Mais que o tempo, o espaço e as rosas. Desejo o silêncio do amar solitário. Pois desse silêncio as meninas que existiam em mim renascerão. Elas são fortes e genuinamente prontas para o "mais uma vez" como a Fênix que me habita.

O que eu desejo talvez não tenha nome. Sim. Tem nome e sobrenome. O que eu desejo me constrói, me fortalece, me mantém de pé para suportar a sua própria falta. O que eu desejo une todas as coisas na transparência da água e no calor do magma. O que eu desejo...

... chamam por aí de amor.

Meu amor... seu amor... nosso amor...

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