Jamais conseguirei lembrar com exatidão o antes ou o depois. Nem que vivesse mil anos conseguiria eu fazer com que estes dois períodos prevalecessem à lembrança mais saborosa...
Ela veio com seus olhos de gata e sua sinuosidade viperina. Atravesso o quarto e me coloco a sua frente. Elevo minha mão para afagar seus cabelos. Então ela olha fixamente nos meus olhos e naquele momento, soube que Lilith adentrara a mente da minha amada.
Recordo aquela boca rubra como uma maçã... aqueles lábios se movendo a poucos centímetros dos meus sussurrando os desejos dela. Suas mãos macias seguram meu rosto e ela contorna meus traços suavemente, vacilante, mal a sinto roçar minha pele. Respiro fundo e fecho os olhos e, completamente cego posso ver aquela boca vermelha, centelha de desejo dizer que me quer. E seu dedo toca meus lábios... e em torno da minha orelha descendo até a nuca. Sinto-me arrepiar e cada penugem do meu corpo se eriça.
Abro os olhos. Suas mãos alcançam minha camisa. Ela a desabotoa, botão após botão, pausadamente, sem medo. Estou paralisado. Logo a camisa está desabotoada. Ela a puxa para fora da calça, se inclina e me beija. Eu sinto o gosto da sua boca. Quero mais da sua língua brincando com a minha. Ela pára por um instante, e sinto seu hálito em minha face. Não resisto. Puxo seu rosto para junto do meu e colo nossos lábios num beijo demorado, intenso.
Ela desliza a mão sobre o meu peito e a faz escorregar por todo o meu corpo. Chega a minha calça e se ajoelha na minha frente. Estou nu. Ela faz uma pausa. E sua língua desenha o contorno da minha ereção...
Ela pára. Estou tonto. Embriagado diante de sua lascívia. Eu a ergo até ficarmos outra vez face a face. Encosto meu corpo no dela. Faço minhas mãos atravessarem seu vestido em busca de suas coxas e dos seus quadris. Ela ainda me olha como se fosse dar o bote. Então pula e cruza suas pernas em torno de mim. E me beija.
Seguro-a nos braços, enquanto a levo, desesperado e condenado pela luxúria à nossa cama. Pouso minhas mãos em seus seios e os tomo, e todo o seu corpo como minha propriedade. Esmago-os. Beijo-os. Me satisfaço deles. Me enveneno do sabor dela.
Percorro com as mãos cada esquina do seu corpo completamente nu. Sinto cada pêlo dela eriçado ao meu toque. Sinto ela se derreter sob mim a cada beijo. Sinto ela se contrair de prazer em minha mão de encontro à sua voluptuosidade.
Eu a penetro. A devoro e a faço minha... só minha. Faço-a perder o controle e me mostrar todo o seu desejo. Faço com que ela me mostre toda a sua fome. Ela treme em resposta ao meu corpo. E me enterro momentos depois no meu próprio prazer. Na minha própria sede. Então enrosco-me nela com o que me restou de forças.
Ficamos em segredo até o cair da noite. Ela esconde os pés entre minhas pernas e brinca com as minhas mãos. Eu a abraço. A afago. Sinto o cheiro dos seus cabelos fazendo cócegas em meu rosto.
E adormeço, numa tentativa vã de gravar seu corpo... com seu cheiro e seus gostos... na memória.
São Vicente, 15 de abril de 2011.
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