segunda-feira, 28 de março de 2011

Não há verso que possa dizer o que aconteceu
Nem meus lábios serão capazes de fazê-lo
- nunca! Por mais que eu tente.

A consciência há muito não registra outra coisa
Nem meu corpo faz o que desejo.
O que acontece é o império dos demônios em mim.
Os lindos anjos que me habitavam estão há muito presos.

Canto canções de amor e faço versos.
E mais que viver
Me apaixonara para sempre.

Agora não há chave que me liberte.
Nem deus que me salve.
A maldição me pegou
E meus pecados se multiplicarão.

São Vicente, 08 de setembro de 2007.

domingo, 27 de março de 2011

Carinhoso

Estou com você...
e uma parte linda do céu está comigo.
Eu te amo
- e por amar assim um pedaço do infinito me pertence.

Meu coração é mar
e como ondas os sentimentos me arrebatam...
Te amo e por isso não sou mais dona de mim:
o amor é meu senhor e dele sou escrava com prazer.

Mais que tudo o que sonhei um dia
tenho tudo o que desejo e mais:
te amo e você me ama também
- mais feliz não poderia ser.

Fui tocada por tua ternura
- natureza tua que a fera em mim domou.
Carinhosamente penso em ti, meu amor
que encontrou o que havia em mim de belo.

São Vicente, 14 de outubro de 2007.

Morte

Todos os dias eu te amo.
Todos os dias meu pensamento grita desesperadamente teu nome.
Meus sonhos buscam incessantemente o mistério dos teus olhos
- teus lindos olhos cheios de encanto.

Além dos desertos e das miragens
Eu te amo...
Te amo...
Apenas amo.

Além de tudo - tudo, tudo e tudo
Eu te amo.

E meu coração sangra.
Dói-me o corpo e a alma
- minh'alma que de amor, de tanto amor se parte.

E chora.
Meu espírito chora.
Mergulha em lágrimas de amor.

As lágrimas são a nascente do lindo rio onde afogo-me
- onde me faço morrer desse amor.

São Vicente, 02 de maio de 2006.

Anderson (@Poetdaescuridao), não recordo o porquê escrevi estes versos há cinco anos. Mas hoje, quando os li pensei imediatamente em você. Me parece algo que você diria.
Sendo assim este post foi feito em homenagem a ti, querido. Aceite como presente da sua "diva".

terça-feira, 22 de março de 2011

O que eles querem (por Rildson Wanderley)

Alguns dias atrás, depois de um longo e divertido bate-papo via Twitter, postei aqui mesmo um texto sobre "O que as mulheres querem" (http://umpoemapravoce.blogspot.com/2011/03/o-que-as-mulheres-querem.html).
Achei que era interessante ter a visão "oposta" desse questionamento. Escolhi um amigo e pedi pra que ele escrevesse algo sobre "O que eles querem". O texto existe, e fui autorizada a publicá-lo aqui.

Obrigada Rildson por compartilhar seu pensamento comigo. Obrigada por doar este pedaço de você e permitir que outras pessoas o vejam.


O QUE ELES QUEREM

Apesar de não gostar de classificar ou generalizar as pessoas, vou dividir os homens em duas categorias:

1- os cafajestes (que só querem sexo)
2- os que querem um relacionamento fixo.

O que vou falar vale para o segundo grupo, embora o primeiro não descarte a mulher que descreverei em seguida.

Vale lembrar que, apesar da descrição acerca das mulheres “que eles querem”, isso não exclui os homens de suas obrigações no relacionamento.

A princípio o homem quer uma mulher que saiba dialogar e conversar, que seja honesta nas respostas e não esconda segredos quando o assunto é relacionamento, ao invés daquela que só sabe criticar e sai fofocando para as amigas os problemas do casal e falando mal do parceiro pelas costas.

Ela pode até tentar nos corrigir. Mas sem ser excessivamente crítica, pois ninguém gosta de gente mandona.
Eles querem uma auxiliadora, uma mulher que o ajude e o oriente nas grandes tomadas de decisão, sem, no entanto ansiar a posição de líder exercida pelo homem.

Eles querem uma mulher independente - financeira e emocionalmente - para que ela possa ajudá-lo nas despesas da casa e agir sem ser totalmente dependente do companheiro. Isso o deixa livre para outras obrigações. Contudo sempre respeitando a posição de líder que ele exerce, ainda que essa mulher tenha um salário maior que o dele.

Ela tem que ser incrivelmente feminina e vaidosa - sem exageros. Sabemos que o trabalho fora e os afazeres de casa não dão à mulher tempo para estar sempre produzida para o seu homem, mas que ela não abandone esse hábito: nenhum homem sente-se atraído por uma mulher mal vestida e sem o mínimo de vaidade.

O que eles querem? - Que elas saibam resguardar o seu individualismo, seus hobbies, ainda que ela goste de alguma atividade que o homem realiza. Que ela possa respeitar o momento que ele precisa ter com os amigos, um momento dele. Um homem não pode viver isolado do mundo, viver só para a família, precisa ter seus amigos e momentos de lazer: compreensão é a chave.

Existe o homem extremamente preocupado com a provisão do lar e o bem-estar da família. Para isso ele se dedica ao trabalho, faz horas extras para dar conforto à mulher. Ela precisa entender isso e não ficar discutindo ou passando na cara dele a falta de tempo para a família. E precisa conversar, fazê-lo entender que o excesso de trabalho pode prejudicar o relacionamento.

As mulheres acham que os homens não gostam de comunicação, e que a única forma de conseguir o que querem deles é a manipulação. Elas esquecem que nós SÓ DETESTAMOS a comunicação birrenta, crítica, impregnada de ódio e destrutiva. Os homens prezam e valorizam a comunicação honesta. Homens dispostos a relacionamentos sérios querem uma parceira confiável, que saiba se comunicar construtivamente sem ódio ou senso pessimista/crítico. Ninguém gosta de gente birrenta e cri-cri, e os homens não são diferentes.

Elogiar e dar valor a alguém por ser honesto não dói e, serve de incentivo para que o homem continue apostando na relação. Se o seu parceiro trabalha até tarde o apóie e, reconheça seu esforço ao invés de reclamar como uma mimada chorona que ele “suja muito as roupas no trabalho” ou que “chega muito tarde em casa”. Se ele sabe que seu trabalho e esforço são reconhecidos pela mulher, se sentirá mais motivado e seguro para continuar trabalhando e apostando na relação com honestidade.

O que o homem espera de uma mulher num relacionamento é que ela seja mantenedora do lar. Isso não significa ser uma escrava. Significa que não gostamos de mulheres modernas que só se preocupam com suas metas de vendas e largam lar, sexo de qualidade e família às traças. Claro que ela pode trabalhar e ter seu dinheiro, mas sem deixar as outras coisas de lado - o que POUCAS conseguem fazer.

Bem... isso resume um pouco o que os homens querem. Sabemos que não vamos encontrar todas essas características em uma só pessoa, que a mulher perfeita não existe, pois todos somos falhos. Porém não custa nada observamos o nosso próprio comportamento e tentarmos modificá-lo para o bem dos relacionamentos.

Mulheres acreditem:

ainda existem homens em busca de um relacionamento sério.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sobre um livro chamado "Lolita"...



Lolita, luz da minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.
Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial. Num principado à beira-mar. Quando foi isso? Cerca de tantos anos antes de Lolita haver nascido quantos eu tinha naquele verão. Ninguém melhor que um assassino para exibir um estilo floreado.
Senhoras e senhores membros do júri, o item número um da acusação é aquilo que invejam os serafins – os desinformados e simplórios serafins de nobres asas.


(NABOKOV, Vladimir. Lolita. São Paulo: Folha de São Paulo, 2003)




Minha paixão por esta obra é antiga - mais antiga do que consigo recordar. É, sem nenhuma dúvida, meu livro favorito. Aquele que eu li dezenas de vezes, e que lerei mais duas ou três dezenas antes de completar 90 anos. 

O fascínio é tamanho que escolhi Lolita como tema do meu trabalho de Conclusão de Curso da faculdade (Psicologia). Jamais me arrependerei desta decisão. Foi a mais acertada. E foi tão espontânea e arrebatadora... Não consigo encontrar palavras para exprimir o quão gratificante foi a experiência. A escolha desta obra como objeto de estudo deste trabalho se deu tão encantadoramente quanto a própria leitura da mesma pela autora: repentinamente, sem intenções prodigiosas e igualmente desprovida de maiores ambições que não o simples entendimento de relações humanas. 

Depois de tantas perguntas sobre o porquê da minha paixão por Lolita, achei que era hora de falar mais sobre.


Lolita (ou A confissão de um viúvo de cor branca) é uma das obras literárias mais polêmicas da era contemporânea. Inicialmente recusada por diversas editoras graças ao seu caráter erótico, o romance do escritor russo Vladimir Nabokov (1899 – 1977), foi lançado em língua inglesa no ano de 1955 por uma editora parisiense gerando diversas e opostas opiniões. Foi lançado nos Estados Unidos três anos depois de seu lançamento na França, tornando-se um best seller rapidamente. Hoje Lolita é uma obra-prima da literatura do século XX. 

Observado como um simples romance, Lolita trata de circunstâncias e emoções que poderiam ter sido atenuadas por meio de clichês insípidos. No entanto, a obra não se vale de termos obscenos facilmente ambicionados pela expectativa do romance entre um homem e uma menina. O livro conta com uma linguagem sofisticada e, passados os anos e as inúmeras críticas, famoso como um dos romances mais discutidos já publicados, Lolita se mostra especialmente como uma entusiástica narrativa sobre a paixão, escrita com elegante desespero. 

O romance é narrado em primeira pessoa pela protagonista, o obssessivo professor de meia idade, Humbert Humbert (H.H.), que se apaixona por sua enteada de doze anos, Dolores Haze. O professor de poesia francesa se define desde o início da narrativa como pervertido, e justifica seu “amor” pela enteada – a quem desde o princípio chama de Lolita - com um amor original vivenciado no início de sua puberdade. Preso por homícídio, H.H. conta sua história e sua incontrolável atração por Lolita, em forma de confissão por meio de suas memórias mais primitivas. 

Embora o romance de Nabokov tenha se aclamado por evidenciar a figura da ninfeta, perpetuada na personagem Lolita, e do mesmo modo imortalizada no imaginário coletivo, é evidente a maestria com a qual se forma a representação do nefário Humbert Humbert. 

As primeiras palavras, as quais dei-me ao trabalho de enumerar (são trinta e oito, distribuídas entre cinco vírgulas e seis pontos!), se abriram como um crepúsculo que torna-se escuridão tão lenta e sedutoramente que, jamais esquecidas, são facilmente lembradas como um sonho recorrente do qual desejou-se não ter acordado. 

A aura de impuro dá ao romance um tom de marginal, que atrai como inconscientemente se deseja pessoas as quais nos vemos impedidos de possuir – o complexo de Édipo é uma passagem nem sempre fácil, mas dela se retira muitas representações as quais, durante toda a vida, revivemos e intuímos. O livro é ao mesmo tempo uma experiência intelectual arriscada que não deixa ninguém que se atreva a realizá-la indiferente. É ao mesmo tempo um relato apaixonado de uma voluptuosidade cega. De um lado, Humbert Humbert, um homem de meia-idade, obsessivo e cínico. De outro, Lolita, no início de sua juventude perversamente ingênua. 

Lolita é espantosamente desafiador e, contrariando paradigmas vigentes, escandaliza. Não há como entendê-lo apenas pelo enredo superficial – a verossimilhança da pedofilia. É uma história de amor, paixão e loucura, extremada e excêntrica. É poético, pungente.

O que mais eu poria dizer? - LEIAM.

Arthur, este post foi feito especialmente pra você, que de todos os meus amigos é, sem dúvida, o que lerá Lolita com a alma mais livre de preconceitos.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ademais as flores...

O que mais gosto em ti
é quando dizes meu nome e consigo ver
cada letra soar linda e calma no céu da tua boca.

Gosto da tua respiração entre lábios
- à espera de um beijo
e da tua mão forte procurando meu corpo escorregadio,
tenso e ávido por paixão.

Gosto da tua voz rouca em meu ouvido quando dizes:
"Te quero",
pois eu te quero também e
não há nada que eu deseje mais que nós.

Te amo apaixonadamente calma,
desesperadamente amante
e te encontro em sonhos e pensamentos.

O meu corpo deseja o teu;
meus olhos querem te ver
meu olfato te procura e
minha boca em sussurros te chama.

Sedenta por amor eu te busco.
E ademais o tempo, as flores
- lindas rosas...
e o que há de terno e belo...

... eu te amo.

São Vicente, 14 de outubro de 2007.

Orquídea

Te amo e te gosto por ser doce e
na tua doçura existir gentileza.

Te amo e te gosto por ser assim,
simplesmente assim...

Te amo por todos os teus sonhos e
pelos teus desejos insanos e sem motivo.

Gosto de você assim...
no riso que esconde os teus amores
- teu secreto amor.

Eu te amo só
- num triste e frio abismo entre nós.
Num deserto repleto de miragens eu te amo e
te estendo a mão sem piedade
-estendo-a porque nesta hora ela leva o meu amor...
o lindo amor que te dedico.

E continuo te amando só.
E dos teus lindos olhos cheios de mistérios
vejo lágrimas caírem como pássaros tristes e sem vida...
- tristes lágrimas que me partem o coração.

Mas ainda assim eu te amo.
E te amo como o vôo de um beija-flor sobre uma orquídea selvagem
[perdida na mais longínqua das montanhas.

São Vicente, 09 de abril de 2006.

Por uma finita eternidade...

Quero o teu amor
- o teu secreto amor.
Desejo o teu doce beijo e
Tudo o mais que a tua boca puder me dar.

Desejo teu corpo junto ao meu
Num tipo de laço
No estalar de beijos
No calor do meu abraço.

Quero as noites todas só pra nós dois
Quero todos os espaços que eu puder ter
Todos os momentos que eu puder ter
Para aproveitar espaços e momentos fazendo amor contigo.

Amar, beijar, sentir, despertar.
Viver, viver, viver, amar...
Quero tudo
Desejo o amor.

Quero você por uma finita eternidade.
Desejo você por todas as certezas da minha paixão.

São Vicente, 07 de março de 2005.

terça-feira, 15 de março de 2011

O que as mulheres querem?

Dias atrás um amigo me questionou acerca do que as mulheres querem. Do nada ele aparece e joga:

"Se os homens são todos iguais, porque é que as mulheres escolhem tanto?"

Discutimos por um tempo. E só o que consegui dizer naquele momento foi que existiam dois tipos de homens. O primeiro era um tipo que não havia evoluído e continuava neanderthal: quer sexo e é diretivo, sem finesse, sem tato, sem rodeios e, geralmente é ignorante (em diversos aspectos). Já o segundo também quer sexo, no entanto como evoluiu e é inteligente, descobriu que mulher gosta de drama, de encenação, de rodeios. E o faz porque sabe que terá tudo da mulher desejada/amada se dançar a música que ela gostar de ouvir. Acrescentei que o 1º acha q mulher é só instinto. Enquanto o 2º descobriu que elas são subjetivas sempre, mesmo quando deixam todas as cartas a mostra. Conclui que as mulheres querem o 2º, pois ele sabe ser Neanthertal na hora certa. Que hora? Sexo (nem sempre, nem tão Neanthertal)!
A conversa se estendeu, outras pessoas [felizmente] se envolveram e o assunto acabou mudando - coisa natural quando estamos entre amigos. Mas chegou aquele momento no qual me vi acompanhada apenas da minha própria voz e dos meus pensamentos. "O que as mulheres querem?", melhor "O que a Aline quer?". Foi uma pergunta daquelas malditas que grudam e te enlouquecem pela quantidade de respostas possíveis.
Tive alguns sonhos desde aquele dia. E todos tinham alguma relação com o bendito questionamento.

Sobre as mulheres?

Não posso responder por todas. Posso dizer um pouco acerca das amigas, das mulheres que conheço - assumindo completa responsabilidade sobre as minhas palavras. Cada uma tem um homem na cabeça, mais "assim" ou mais "assado"; menos "assim" ou mais "temperado". Cada uma delas tem um tipo físico que atrai mais ou menos. Umas tendem a doses extras de romances, enquanto outras querem aventuras mais que sem compromisso.

Sobre mim?

Eu quero tantas coisas... E ainda assim é muito difícil definir – acho que ser mulher implica em ter um pouco mais de dificuldade em "definir" o que se deseja.
Já escrevi dezenas de poemas “definindo” o homem certo. No entanto, ele sempre ganha ou perde uma característica. E aí eu percebo que ele nunca foi “certo”. Já me dei conta de que eu também sempre acentuo ou amenizo a intensidade de uma ou duas características minhas. Daí o “certo” de ontem, com toda certeza não é o mesmo de hoje. Então, como faço? Como definir!?
No meio dessa tormenta achei que ele poderia mesmo ser...

1 – ALTO - Poxa, eu sou “grande”. Preciso de um homem à minha altura! Fica mais elegante. É mais sexy.
2 – INTELIGENTE – Todo mundo diz que sou inteligente. Então eu devo mesmo sê-lo. Como poderia me relacionar com alguém menos inteligente!? Não dá!
3 – GENTIL E GENEROSO – Preciso de alguém assim. Pessoas egoístas não tem espaço na minha vida. Não sou capaz de suportar isso.
4 – SEXY - Ah, vai... ele tem de ser sexy! Se eu sou, porque ele não tem de ser!?

... Poderia mesmo ser muitas outras coisas, e eu teria “porquês” para todas.
Quando enfim, percebi que tudo é em vão, e que quando acontecer – SE acontecer – nada disso que veio antes vai fazer muito sentido. Quando e se acontecer o que mais vai ter significado, o que terá verdadeira valia será ele estar ali, tê-lo de algum modo.
Parei com tudo, e definitivamente o que toda mulher quer é um alguém pra chamar de “meu...”.

São Vicente, 15 de março de 2011.

segunda-feira, 14 de março de 2011

(sem nome/título)

Sinto falta dos teus lábios
- sinto falta de você.
Queria tanto beijá-los novamente
- ser beijada até o "para sempre" acontecer.

Te acariciar outra vez
- e sê-lo também.

Tenho saudades das nossas noites vividas.
Daquele amor que nos amava e
que vivíamos amando...

Arde em mim o desejo de ser feliz contigo...
Outros momentos - mais mágicos... intensos

... ou mais simples e menos intencionais.

São Vicente, 03 de abril de 2003.

Infindo desejo

Um desejo infindo...

Beijar os lábios teus e
tocar a pele que te pertence
e que o sol reluz.

Te amar até o fim,
se existir um fim
o meu amor.

Viver saudades e querer-te por perto
- pra não viver a maldita,
bendita saudade de você.

Sonhar você
- e chorar também.
Realizar você
- e sorrir bastante.

Não desejar mais...
- e querer desejar e
fazer tudo de novo...

São Vicente, 21 de agosto de 2002.

sábado, 12 de março de 2011

O homem que me dará seu amor

O homem que me dará seu amor
será feito de muito sol,
e cobrirá com sua nudez crua
todas as feridas
- as cicatrizes da minha'alma.

O homem que me dirá "eu te amo"
terá a voz charmosa dos desconhecidos
- carregada da tensão dos apaixonados.

O homem que me dirá "eu te amo"
me assistirá sempre com seus olhos de estrelas
- embriagados com o olhar dos amantes.

Será viril e anjo
- mas tão lindo que jamais acreditarei.
Seu corpo terá a cor do metal,
sua boca dirá suavemente "amor!".

São Vicente. 21 de fevereiro de 2004.

O jardineiro

O que mas desejo chama-se amor.
Nas profundezas do meu coração escondido está o que mais quero.
É lá, como uma alma nos Campos da Punição que o escondo,
perdido no Tártaro,
guardado por Cérbero e outros monstros.

Tentei matá-lo
- Ah! como o fiz!
Mas nas terras de Hades encontram vida todos os que morreram.
Assim, sempre há um lugar aonde ir.

Como uma alma aflita,
que sofre cultivando as flores de Perséfone,
meu desejo cria flores negras e árvores secas
- é agora um jardineiro infeliz
insistindo em gritos que ecoam na morada dos sentimentos.

E perdida salvando as almas fora de mim
ignoro meu jardineiro fiel
- sendo cruel conosco por não nos permitir.

... por algum tempo permaneço.

São Vicente, 24 de abril de 2010.

A canção

Depois da história de amor
cheia de beijos e rosas,
este romance envolve-se de um caráter doentio - quase mórbido,
chorando a morte de sonhos e alegrias de uma longa espera.

Outrora ouvia-se fascinada uma doce melodia.
Duas pessoas de unem e imagina-se:
podem ser bons letristas.
Mas o que se ouve hoje é uma triste canção sem rimas.

A canção embala todas as noites de suas vidas.
A canção leva-os até o alegre passado.
Conforta-os nas noites de agonia.
Mas na saudade a mesma canção se perde
- eles pensam que falta um refrão.

Eles brigam falando alto, pois assim não ouvem sua música.
E se enganam porque não percebem o que cintila diante de seus olhos:
a canção ainda não foi concluída.

Quando seus olhares se encontram vem a certeza do amor que sentem
só que as crianças não sabe o que fazer.
Assim o tempo continua sua viagem através do infinito
e a paixão em suas almas chora a saudade dos bons momentos de sua história.

São Vicente, 16 de março de 2008.

Milagre

Eu viajava no tempo sem você
quando num belo e claro dia de sol o encontrei.
O deserto que havia em mim se desfez
- apaixonei-me para sempre.

Perdi-me em teus braços...
- jamais pensei que o faria.
Te amei todos os dias
e te amarei até o último momento.

Mil anos caminhei a tua procura.
E você apareceu,
fazendo do tudo o nada, do nada o tudo.

Você surgiu e encheu minha vida de luz...
me elevou com tanto amor.

Te encontrar foi o milagre que esperei toda a vida.
E vivo este milagre como a respiração de quem morrerá no próximo instante.
Vive em mim a eterna magia do primeiro olhar.

Me abrace e me beije...
Diga que amanhã será como sonhei e
faça comigo este amor ser o que mais importa pra nós.

Me chame de "meu amor".
Me espere com paciência.
Sempre estarei em teu colo e em teu abraço,
porque quero perder-me eternamente em teus lábios
- só assim saberei viver.

Outros mil anos quero caminhar contigo, amor.
E mais que as vozes das pitonisas sagradas
quero ouvir teu canto até alcançarmos o infinito.

Eu te amo...
e mais que isso não posso explicar
- te amar é tudo o que há em mim de belo e carinhoso.

"Te amo."

São Vicente, 20 de abril de 2008.

É meu, já foi presente e agora está por aqui.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Clair de Lune

Duas asas se abriram lindas e grandiosas
e ela pôs-se abraçada aos próprios joelhos.
Não tinha exata ciência de como sentia-se
e ali ficou a fitar os próprios pés.

O vento soprava sem direção certa.
O lago não movia-se.
Nem a brisa fazia-se ouvir.
Nada era vida exceto seu coração cansado.

Em sua mente Clair de Lune ecoava como um choro...
Em sua mente a doce canção ecoava com um riso...
Debussy dava ritmo a seu frágil coração valente...
... A bela canção iluminava seu singelo sorriso.

Sem perceber recostou-se numa macieira.
Sempre fitando o horizonte.
O sol se punha e a noite chegava.
O anjo dormeceu.

Caída na relva nada a ameaçava.
Estava bem... calma... sem amarras...
Num instante fez-se a mágica:
ela permitiu que o mundo onírico se abrisse.
E noutro instante ela estava acordada.

São Vicente, 11 de janeiro de 2010

Lanterna

A lanterna está acesa.
Em meio ao caos,
na confusão da tormenta
eu te procuro.

Presa em círculos...
sempre em busca do mesmo
eu abro meus pulmões
e todo o ar é igual.

Teus olhos... teus, meus encantos...
- Onde se perderam de mim?
Seus lábios, doces lábios...
- Por que distantes dos meus?

Deixa eu te abraçar?
Permita-me dizer que quando eu te amo
sou puro e lascivo amor.

Deixa eu te contar o meu desejo?
Permita-me dizer que esse amor - nosso amor - me dilacera,
e quando o faz o sinto como a última chance.

Sobre todas as coisas presas em minha mente,
mais que todo o desejo...
... não quero estar lá quando você partir.


São Vicente, 11 de março de 2011.

O amor de uma menina

Hoje não posso sentir o orvalho.
Chove, e eu só queria que Deus existisse
para eu poder tocar seu rosto em meio a chuva
e lentamente encontrar teus lábios doces e quentes.

Quisera dar-te tudo o que nunca lhe ofertaram.
Tudo o que se deve ofertar à pessoa amada.
Em troca só queria poder olhar teus olhos
e não ter a dúvida do teu amor.

Quisera saber como tirar tua doce imagem dos meus sonhos
ou como fazer tu responder os meus apelos.
Eu só preciso viver o bem de ser amada
e ter a certeza de que vivi o mais importante.

Quisera ser menina outra vez
para sentir nossas mãos trocando calor,
nossas almas cantarem hinos de felicidade
silenciados pela espera do beijo.

Deixas-te em mim um mundo de saudades,
e um sorriso decora meus lábios quando lembro do menino.
Uma alegria me invade:
guardo em mim o sonho de que ele me amou.

A menina ainda o ama,
porque ela ainda vive
- habita o corpo de uma dona apaixonada.
Assim a menina e a mulher o amam.
As duas amam o velho menino.

São Vicente, 16 de março de 2008.

Aline

Dentro de um enigma
é que se esconde
a menina mulher.

Geniosa e doce,
que não se mostra sonho
e que por trás da responsabilidade
esconde a maluquez.

Sensível e forte:
do tipo que faz de uma lágrima
força, fé e esperança.

Poesia de mistério...:
de palavras doces pra ferir,
de amargas pra cicatrizar.

É assim que se mostra
esse anjo mulher,
essa fera menina.

Um cosmo desconhecido...
quase intocado,
numa alma mais que diferente
de sentimentos inexplorados.

[...]

Um sonho de amor.
Um delírio.
Uma dor.

Uma flor
- das mais formosas.
Ou quem sabe
o mais agressivo dos espinhos?

A poesia mais bela,
recitada na voz mais rasgante.

São Vicente, 20/23 de julho e 2002 e 20 de janeiro de 2003.

Ela

"Ainda a amas?"

"- Sim, ainda a amo
como no dia em que descobri a paixão por ela.
Ainda sinto o macio
- doce beijo...
a boca dela.
Nos sonhos,
continuo a tocar aquelas mãos.
Ainda sinto seu perfume
- aquele doce perfume...
Ouço ainda o tom suave,
a voz...
E ainda desejo mais que tudo
aquele abraço...

... e ela..."

São Vicente, 06 de abril de 2002.

Poema de aniversário


Porque fizeste anos, Bem-Amada, e a asa do tempo roçou teus cabelos negros, e teus grandes olhos calmos miraram por um momento o inescrutável Norte...
Eu quisera dar-te, ademais dos beijos e das rosas, tudo o que nunca foi dado por um homem à sua Amada, eu que tão pouco te posso ofertar. Quisera dar-te, por exemplo, o instante em que nasci, marcado pela fatalidade de tua vinda. Verias, então, em mim, na transparência do meu peito, a sombra de tua forma anterior a ti mesma.
Quisera dar-te também o mar onde nadei menino, o tranqüilo mar de ilha em que perdia e em que mergulhava, e de onde trazia a forma elementar de tudo o que existe no espaço acima – estrelas mortas, meteoritos submersos, o plancto das galáxias, a placenta do Infinito.
E mais, quisera dar-te as minhas loucas carreiras à toa, por certo em premonitória busca de teus braços, e a vontade de grimpar tudo de alto, e transpor tudo de proibido, e os elásticos saltos dançarinos para alcançar folhas, aves, estrelas – e a ti mesma, luminosa Lucina, e derramar claridade em mim menino.
Ah, pudesse eu dar-te o meu primeiro medo e a minha primeira coragem; o meu primeiro medo à treva e a minha primeira coragem de enfrentá-la, e o primeiro arrepio sentido ao ser tocado de leve pela mão invisível da Morte.
E o que não daria eu para ofertar-te o instante em que, jazente e sozinho no mundo, enquanto soava em prece o cantochão da noite, vi tua forma emergir do meu flanco, e se esforçar, imensa ondina arquejante, para se desprender de mim; e eu te pari gritando, em meio a temporais desencadeados, roto e imundo do pó da terra.
Gostaria de dar-te, Namorada, aquela madrugada em que, pela primeira vez, as brancas moléculas do papel diante de mim dilataram-se ante o mistério da poesia subitamente incorporada; e dá-Ia com tudo o que nela havia de silencioso e inefável - o pasmo das estrelas, o mudo assombro das casas, o murmúrio místico das árvores a se tocarem sob a Lua.
E também o instante anterior à tua vinda, quando, esperando-te chegar, relembrei-te adolescente naquela mesma cidade em que te reencontrava anos depois; e a certeza que tive, ao te olhar, da fatalidade insigne do nosso encontro, e de que eu estava, de um só golpe, perdido e salvo.
Quisera dar-te, sobretudo, Amada minha, o instante da minha morte; e que ele fosse também o instante da tua morte, de modo que nós, por tanto tempo em vida separados, vivêssemos em nosso decesso uma só eternidade; e que nossos corpos fossem embalsamados e sepultados juntos e acima da terra; e que todos aqueles que ainda se vão amar pudessem ir mirar-nos em nosso último leito; e que sobre nossa lápide comum jazesse a estátua de um homem parindo uma mulher do seu flanco; e que nela houvesse apenas, como epitáfio, estes versos finais de uma cançâo que te dediquei:


... dorme, que assim
dormirás um dia
na minha poesia
de um sono sem fim...


Li este texto quando era adolescente, no auge da minha produção literária e jamais esqueci. Toda vez que preciso retornar pra mim, este é um dos primeiros textos que a mente chama de volta.
Encontrei-o em
http://www.viniciusdemoraes.com.br/biblio/sec_biblio_view.php?back_page=1&id_livro=81&PAGE=3

Brumas

Numa noite dessas em que as brumas consomem o tempo e o espaço, perdi-me em pensamentos nesta mágica fusão.
Ainda perdida lhe encontrei. E entre tudo o que havia em mim de bom e carinhoso, estava você, meu amado, no meu jardim de flores e amores - você era o meu maior amor.
De repente não mais que de repente, num truque ilusionista do destino, vi meu jardim tão lindo sumir. As brumas  o engoliram e junto dele você se foi.
O que me restou? - Já não sabia mais o que fazer, pois tudo que havia em mim de belo e terno estava naquele jardim... Você estava naquele jardim.
- Ah, meu jardim secou... morreu.
Então num súbito de coragem alcei vôo até um rio lindo que conheci a teu lado em busca de água limpa e fresca para regar o meu jardim quase sem vida, perdido para sempre e fazê-lo voltar a ser o encanto de outrora.
Surpreendi-me ao encontrar você e suas velhas asas as margens do rio. Lágrimas tristes e encantadores caíram dos teus olhos - teus lindos olhos cheios de mistério. Sentei-me a teu lado e algo que não sei fez-me recostar em teus braços.
Ficamos ali até o instante em que algum sentimento estranho me possuiu e saí do aconchego do teu abraço.
Te olhei e adimirei para guardar aquela imagem até o fim.
Mergulhei no rio, enchi minhas asas de água, voei sobre o meu jardim e o reguei - e havia tanta esperança de vê-lo florir outra vez...
Tamanha foi a surpresa quando percebi você a lutar por tudo aquilo: você e suas velhas e cansadas asas iluminando aquele chão.
Terminamos nosso trabalho e pairamos no ar esperando o milagre. Nos olhamos, nossas mãos se encontraram e o milagre se fez. Sorrindo, vimos nosso amor ressurgir...
- Eu acordei.

São Vicente, 24 de novembro de 2003.

Enfim o ato de "publicar".

Passei anos ouvindo dos amigos (e dos desconhecidos também) que deveria "publicar" o que escrevo. Sei que o que eles entendiam por "publicar" significava um livro. Confesso que na minha mente "publicar" implicava na mesma imagem das folhas impressas e da bela capa.
São 10 anos de poesia, contos e muitas coisas. Uma década de folhas virgens manchadas com os meus sentimentos e reflexões.
Todos os caminhos sofreram mudanças - nada escapou a sabedoria e a crueldade que só o tempo possui e usa com tamanha destreza. A face e as mãos que um dia escreveram o primeiro poema (ainda recordo como aquele instante singular transformou todo o meu modo de ser) nem de longe são as mesmas.
Estamos aqui, minha mente e minhas mãos, sem intenções grandiosas, sem pretensões megalomaníacas. Só estamos. Simples assim como é "estar".
O que se encontrará por aqui? A Aline, sem o Carvalho, que nunca aparece pra ninguém.