Duas asas se abriram lindas e grandiosas
e ela pôs-se abraçada aos próprios joelhos.
Não tinha exata ciência de como sentia-se
e ali ficou a fitar os próprios pés.
O vento soprava sem direção certa.
O lago não movia-se.
Nem a brisa fazia-se ouvir.
Nada era vida exceto seu coração cansado.
Em sua mente Clair de Lune ecoava como um choro...
Em sua mente a doce canção ecoava com um riso...
Debussy dava ritmo a seu frágil coração valente...
... A bela canção iluminava seu singelo sorriso.
Sem perceber recostou-se numa macieira.
Sempre fitando o horizonte.
O sol se punha e a noite chegava.
O anjo dormeceu.
Caída na relva nada a ameaçava.
Estava bem... calma... sem amarras...
Num instante fez-se a mágica:
ela permitiu que o mundo onírico se abrisse.
E noutro instante ela estava acordada.
São Vicente, 11 de janeiro de 2010
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