sexta-feira, 11 de março de 2011

Brumas

Numa noite dessas em que as brumas consomem o tempo e o espaço, perdi-me em pensamentos nesta mágica fusão.
Ainda perdida lhe encontrei. E entre tudo o que havia em mim de bom e carinhoso, estava você, meu amado, no meu jardim de flores e amores - você era o meu maior amor.
De repente não mais que de repente, num truque ilusionista do destino, vi meu jardim tão lindo sumir. As brumas  o engoliram e junto dele você se foi.
O que me restou? - Já não sabia mais o que fazer, pois tudo que havia em mim de belo e terno estava naquele jardim... Você estava naquele jardim.
- Ah, meu jardim secou... morreu.
Então num súbito de coragem alcei vôo até um rio lindo que conheci a teu lado em busca de água limpa e fresca para regar o meu jardim quase sem vida, perdido para sempre e fazê-lo voltar a ser o encanto de outrora.
Surpreendi-me ao encontrar você e suas velhas asas as margens do rio. Lágrimas tristes e encantadores caíram dos teus olhos - teus lindos olhos cheios de mistério. Sentei-me a teu lado e algo que não sei fez-me recostar em teus braços.
Ficamos ali até o instante em que algum sentimento estranho me possuiu e saí do aconchego do teu abraço.
Te olhei e adimirei para guardar aquela imagem até o fim.
Mergulhei no rio, enchi minhas asas de água, voei sobre o meu jardim e o reguei - e havia tanta esperança de vê-lo florir outra vez...
Tamanha foi a surpresa quando percebi você a lutar por tudo aquilo: você e suas velhas e cansadas asas iluminando aquele chão.
Terminamos nosso trabalho e pairamos no ar esperando o milagre. Nos olhamos, nossas mãos se encontraram e o milagre se fez. Sorrindo, vimos nosso amor ressurgir...
- Eu acordei.

São Vicente, 24 de novembro de 2003.

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