sábado, 12 de março de 2011

O jardineiro

O que mas desejo chama-se amor.
Nas profundezas do meu coração escondido está o que mais quero.
É lá, como uma alma nos Campos da Punição que o escondo,
perdido no Tártaro,
guardado por Cérbero e outros monstros.

Tentei matá-lo
- Ah! como o fiz!
Mas nas terras de Hades encontram vida todos os que morreram.
Assim, sempre há um lugar aonde ir.

Como uma alma aflita,
que sofre cultivando as flores de Perséfone,
meu desejo cria flores negras e árvores secas
- é agora um jardineiro infeliz
insistindo em gritos que ecoam na morada dos sentimentos.

E perdida salvando as almas fora de mim
ignoro meu jardineiro fiel
- sendo cruel conosco por não nos permitir.

... por algum tempo permaneço.

São Vicente, 24 de abril de 2010.

Um comentário:

  1. que belo. me identifiquei com esse, haha!
    seus poemas são muito bonitos. parabéns! x)

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