Lolita, luz da minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.
Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial. Num principado à beira-mar. Quando foi isso? Cerca de tantos anos antes de Lolita haver nascido quantos eu tinha naquele verão. Ninguém melhor que um assassino para exibir um estilo floreado.
Senhoras e senhores membros do júri, o item número um da acusação é aquilo que invejam os serafins – os desinformados e simplórios serafins de nobres asas.
(NABOKOV, Vladimir. Lolita. São Paulo: Folha de São Paulo, 2003)
Minha paixão por esta obra é antiga - mais antiga do que consigo recordar. É, sem nenhuma dúvida, meu livro favorito. Aquele que eu li dezenas de vezes, e que lerei mais duas ou três dezenas antes de completar 90 anos.
O fascínio é tamanho que escolhi Lolita como tema do meu trabalho de Conclusão de Curso da faculdade (Psicologia). Jamais me arrependerei desta decisão. Foi a mais acertada. E foi tão espontânea e arrebatadora... Não consigo encontrar palavras para exprimir o quão gratificante foi a experiência. A escolha desta obra como objeto de estudo deste trabalho se deu tão encantadoramente quanto a própria leitura da mesma pela autora: repentinamente, sem intenções prodigiosas e igualmente desprovida de maiores ambições que não o simples entendimento de relações humanas.
Depois de tantas perguntas sobre o porquê da minha paixão por Lolita, achei que era hora de falar mais sobre.
Lolita (ou A confissão de um viúvo de cor branca) é uma das obras literárias mais polêmicas da era contemporânea. Inicialmente recusada por diversas editoras graças ao seu caráter erótico, o romance do escritor russo Vladimir Nabokov (1899 – 1977), foi lançado em língua inglesa no ano de 1955 por uma editora parisiense gerando diversas e opostas opiniões. Foi lançado nos Estados Unidos três anos depois de seu lançamento na França, tornando-se um best seller rapidamente. Hoje Lolita é uma obra-prima da literatura do século XX.
Observado como um simples romance, Lolita trata de circunstâncias e emoções que poderiam ter sido atenuadas por meio de clichês insípidos. No entanto, a obra não se vale de termos obscenos facilmente ambicionados pela expectativa do romance entre um homem e uma menina. O livro conta com uma linguagem sofisticada e, passados os anos e as inúmeras críticas, famoso como um dos romances mais discutidos já publicados, Lolita se mostra especialmente como uma entusiástica narrativa sobre a paixão, escrita com elegante desespero.
O romance é narrado em primeira pessoa pela protagonista, o obssessivo professor de meia idade, Humbert Humbert (H.H.), que se apaixona por sua enteada de doze anos, Dolores Haze. O professor de poesia francesa se define desde o início da narrativa como pervertido, e justifica seu “amor” pela enteada – a quem desde o princípio chama de Lolita - com um amor original vivenciado no início de sua puberdade. Preso por homícídio, H.H. conta sua história e sua incontrolável atração por Lolita, em forma de confissão por meio de suas memórias mais primitivas.
Embora o romance de Nabokov tenha se aclamado por evidenciar a figura da ninfeta, perpetuada na personagem Lolita, e do mesmo modo imortalizada no imaginário coletivo, é evidente a maestria com a qual se forma a representação do nefário Humbert Humbert.
As primeiras palavras, as quais dei-me ao trabalho de enumerar (são trinta e oito, distribuídas entre cinco vírgulas e seis pontos!), se abriram como um crepúsculo que torna-se escuridão tão lenta e sedutoramente que, jamais esquecidas, são facilmente lembradas como um sonho recorrente do qual desejou-se não ter acordado.
A aura de impuro dá ao romance um tom de marginal, que atrai como inconscientemente se deseja pessoas as quais nos vemos impedidos de possuir – o complexo de Édipo é uma passagem nem sempre fácil, mas dela se retira muitas representações as quais, durante toda a vida, revivemos e intuímos. O livro é ao mesmo tempo uma experiência intelectual arriscada que não deixa ninguém que se atreva a realizá-la indiferente. É ao mesmo tempo um relato apaixonado de uma voluptuosidade cega. De um lado, Humbert Humbert, um homem de meia-idade, obsessivo e cínico. De outro, Lolita, no início de sua juventude perversamente ingênua.
Lolita é espantosamente desafiador e, contrariando paradigmas vigentes, escandaliza. Não há como entendê-lo apenas pelo enredo superficial – a verossimilhança da pedofilia. É uma história de amor, paixão e loucura, extremada e excêntrica. É poético, pungente.
O que mais eu poria dizer? - LEIAM.
Arthur, este post foi feito especialmente pra você, que de todos os meus amigos é, sem dúvida, o que lerá Lolita com a alma mais livre de preconceitos.

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